segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Arquétipo dos filhos de Oxum

Dão muito valor à opinião pública, fazem qualquer coisa para não chocá-la, preferindo contornar as suas diferenças com habilidade e diplomacia. São obstinadas na procura dos seus objectivos.

Oxum é o arquétipo daqueles que agem com estratégia, que jamais esquecem as suas finalidades; atrás da sua imagem doce esconde-se uma forte determinação e um grande desejo de ascensão social.

Têm uma certa tendência para engordar, a imagem do gordinho risonho e bem-humorado combina com eles. Gostam de festas, vida social e de outros prazeres que a vida lhes possa oferecer. Tendem a uma vida sexual intensa, mas com muita discrição, pois detestam escândalos.

Não se desesperam por paixões impossíveis, por mais que gostem de uma pessoa, o seu amor-próprio é muito maior. Eles são narcisistas demais para gostar muito de alguém.

Graça, vaidade, elegância, uma certa preguiça, charme e beleza definem os filhos de Oxum, que gostam de jóias, perfumes, roupas vistosas e de tudo que é bom e caro.

O lado espiritual dos filhos de Oxum é bastante aguçado. Talvez por isso, algumas das maiores Yalorixás da história do Candomblé, tenham sido ou sejam de Oxum.

Fonte: www.ocandomble.wordpress.com


Xirê de Oxum (Ketu)

Oxum

Dia: Sábado
Cores: Amarelo – Ouro
Símbolo: Leque com espelho (Abebé)
Elemento: Água Doce (Rios, Cachoeiras, Nascentes, Lagoas)
Domínios: Amor, Riqueza, Fecundidade, Gestação e Maternidade
Saudação: Eri Yéyé ó!

História
Na Nigéria, mais precisamente em Ijesá, Ijebu e Osogbó, corre calmamente o rio Oxum, a morada da mais bela Iyabá, a rainha de todas as riquezas, a protectora das crianças, a mãe da doçura e da benevolência.
Generosa e digna, Oxum é a rainha de todos os rios e cachoeiras. Vaidosa, é a mais importante entre as mulheres da cidade, a Ialodê. É a dona da fecundidade das mulheres, a dona do grande poder feminino.
Oxum é a deusa mais bela e mais sensual do Candomblé. É a própria vaidade, dengosa e formosa, paciente e bondosa, mãe que amamenta e ama. Um de seus oriquis, visto com mais atenção, revela o zelo de Oxum com seus filhos:
O primeiro filho de Oxum chama-se Ide, é uma verdadeira jóia, uma argola de cobre que todos os iniciados de Oxum devem colocar nos seus braços.
Oxum não vê defeitos nos seus filhos, não vê sujidade. Os seus filhos, para ela, são verdadeiras jóias, e ela só consegue ver seu brilho.
É por isso que Oxum é a mãe das crianças, seres inocentes e sem maldade, zelando por elas desde o ventre até que adquiram a sua independência.
Seus filhos, melhor, as suas jóias, são a sua maior riqueza.


Oxum (balé)

Mitologia: Oxum Apará tem inveja de Oiá

Vivia Oxum no palácio em Ijimu, passava os dias no seu quarto olhando seus espelhos, eram conchas polidas onde apreciava sua imagem bela.

Um dia saiu Oxum do quarto e deixou a porta aberta, sua irmã Oiá entrou no aposento, extasiou-se com aquele mundo de espelhos, viu-se neles. As conchas fizeram espantosa revelação a Oiá, ela era linda! A mais bela! A mais bonita de todas as mulheres! Oiá descobriu sua beleza nos espelhos de Oxum, Oiá se encantou, mas também se assustou: era ela mais bonita que Oxum, a Bela. Tão feliz ficou que contou do seu achado a todo mundo, e Oxum Apará remoeu amarga inveja, já não era a mais bonita das mulheres, vingou-se.

Um dia foi à casa de Egungum e lhe roubou o espelho, o espelho que só mostra a morte, a imagem horrível de tudo o que é feio, pôs o espelho do Espectro no quarto de Oiá e esperou. Oiá entrou no quarto, deu-se conta do objeto e Oxum trancou Oiá pelo lado de fora. Oiá olhou no espelho e se desesperou, tentou fugir, impossível, estava presa com sua terrível imagem. Correu pelo quarto em desespero, atirou-se no chão, bateu a cabeça nas paredes, não logrou escapar nem do quarto nem da visão tenebrosa da feiúra. Oiá enlouqueceu, Oiá deixou este mundo. Obatalá, que a tudo assistia, repreendeu Apará e transformou Oiá em orixá. Decidiu que a imagem de Oiá nunca seria esquecida por Oxum. Obatalá condenou Apará a se vestir para sempre com as cores usadas por Oiá, levando nas jóias e nas armas de guerreira o mesmo metal empregado pela irmã.

Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001

Opara
Segundo o Sr. Altair T`Ogun, não existem “qualidades” dos Orixás, mas sim títulos ou sobrenomes.
Òsún Òpàra ou Àpàrà: É Opàrà, como já dito, cujo culto assemelhava-se ao de Òsún, mas, que se perdeu no tempo e terminou virando qualidade por aqui (Brasil). Sabe-se pouco sobre Òpàrà, além de semelhanças com Òsún. Ela, ao invés de um abèbè (leque), ela usa uma àdá (espada) e recebe como oferenda, ao invés de cabras, de òdá (bodes castrados).
Fonte: http://ocandomble.wordpress.com/os-orixas/oxum/



Opara

Mãe

Certa feita, no momento correto da minha vida, meu coração se encheu de uma alegria tão grande que comparo ao nascimento da minha Luísa. Isso aconteceu quando meu pai Oxossi confirmou ser o dono do meu ori, abriu seus braços e chamou-me a ele. Foi com muito amor e sem receios que firmei meu compromisso com ele diante dos búzios da minha Yá. No dia seguinte, mesmo faltando dois meses para minha iniciação, cortei o meu longo cabelo, passei a me recolher e o sentia cada vez mais próximo. Como se fossemos nos aproximando dia a dia para que a acolhida fosse perfeita. Tudo transcorreu bem, ele reinou com uma força admirável e eu, como que parindo a nova vida, chorei ao saber do primeiro seu ilá.

De lá para cá passaram-se 7 meses. Dias de dedicação e sacrifícios, já sabidos por mim, quando decidi tornar-me uma yawo. Mas apesar de todo esse transbordamento de felicidade, com o tempo, um vazio passou a se abrir, lento e sutil, porém notável. Não existe filha só de pai, por mais extremoso que ele seja.

Até que um dia, em profunda concentração dançando o xirê antes do orô de vários Orixás, eu a escutei, só nos meus ouvidos. Como que anunciando, minha mãe cantou somente para mim. Meu coração sorriu. Eu sorri. Por mais que os búzios ainda não houvessem confirmado, meus sentidos já haviam trago a certeza da sua maternidade.

Opará cantou maternal para o meu coração. Mostrou-me sua espada, para que eu entendesse todas as coisas que sempre me confundiram. E eu chorei ao abraçar Oxum. Depois disso, dormi contente e cuidei da minha pequena Luísa com o amor redobrado que advém do ventre dessa mãe graciosa. Banhei-me e, encantada, comprei flores e perfumes. Com minha delicadeza montei um pequeno presente adornado pelas minhas mãos só para mostrar-lhe o quão feliz fiquei com nosso reconhecimento.


Oxum Laboré

terça-feira, 6 de abril de 2010

Barué


Há três meses atrás, há essa hora, eu já estava deitada na minha esteira. Cabeça catulada e a mente divagando sobre a energia do Barué, um dos primeiros rituais feitos no processo de iniciação. Como o meu orixá é Oxossi, ele pedia alvorada e assim foi feito. Saímos de São Paulo por volta das 4 da madrugada rumo a Juquitiba. O destino era um rio caudaloso e bonito usado para esportes radicais.

Como o ritual se deu em uma quarta-feira comum, não havia ninguém no lugar. Pensei que dormiria no caminho, mas estava tão cheia de emoções que não consegui.

A manhã surgiu vagarosa conforme nosso encontro com o rio. Os ebós transcorreram sem sobressaltos. Ossain respondeu por meio de um pássaro cantante exatamente no momento em que o louvava-mos.

Devido a cheia o rio não permitiu que nós avançassemos muito. Ajoelhado nas águas, Oxossi deu o seu primeiro sinal. Algumas madeixas rolaram na catulagem e eu sentia algo novo que não sei explicar. Ainda hoje, em momentos de paz, o retrato mental da minha tranqüilidade tem os contornos daquela paisagem.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ser Yaô



6 de janeiro de 2010, essa é a minha data de nascimento. Oxossi é o nome do meu marido ou pai caçador. Tobiodé é um novo batismo. Ser yaô é nascer para o Orixá ou se casar com ele, o que cada um preferir denominar. Mas lembrem-se casamentos se desfazem e esse laço é para sempre. Quando você rebenta ganha para si uma família completa, com pai, mãe, irmãos, tios, primos, avó, avô. Então a partir dessa data eu tenho, além da minha família sanguínea, a minha família de axé, a qual eu devo obediência e amor.

Iniciar-se no candomblé é aceitar começar tudo de novo. Aprender os gestos mínimos de educação, esforçar-se para falar palavras cotidianas em um dialeto tribal que até pouco você ignorava, cantar e dançar perfeitamente sabendo que aquilo não é uma simples festa, mas sim a sua forma de contato com quem lhe deu um sopro diferente de vida.

Tornar-se yaô é abrir mão das longas madeixas cultivadas durante anos. É passar sete dias isolada longe da sua rotina e das pessoas que lhe são caras. É comer, vestir, acordar, dormir, rezar, viver completamente diferente do que você fez antes de entrar no ronkó. É chorar de emoção depois do primeiro ilá do Orixá e abraçar emocionada quem te criou recendo um sorriso que diz silenciosamente, “Você nasceu”. É aceitar com resignação mais três meses de privações que vão desde o conforto da sua cama, até o seu vestido preto preferido, passando pela ausência da cerveja com os amigos, o afago do namorado e as barras de chocolate acompanhadas de café.

Ser yaô é viver durante 7 anos como tal.
É beijar seu fio e agradecer por ter nascido.
Ser yaô é simplesmente ser feliz por pertencer ao axé.