
6 de janeiro de 2010, essa é a minha data de nascimento. Oxossi é o nome do meu marido ou pai caçador. Tobiodé é um novo batismo. Ser yaô é nascer para o Orixá ou se casar com ele, o que cada um preferir denominar. Mas lembrem-se casamentos se desfazem e esse laço é para sempre. Quando você rebenta ganha para si uma família completa, com pai, mãe, irmãos, tios, primos, avó, avô. Então a partir dessa data eu tenho, além da minha família sanguínea, a minha família de axé, a qual eu devo obediência e amor.
Iniciar-se no candomblé é aceitar começar tudo de novo. Aprender os gestos mínimos de educação, esforçar-se para falar palavras cotidianas em um dialeto tribal que até pouco você ignorava, cantar e dançar perfeitamente sabendo que aquilo não é uma simples festa, mas sim a sua forma de contato com quem lhe deu um sopro diferente de vida.
Tornar-se yaô é abrir mão das longas madeixas cultivadas durante anos. É passar sete dias isolada longe da sua rotina e das pessoas que lhe são caras. É comer, vestir, acordar, dormir, rezar, viver completamente diferente do que você fez antes de entrar no ronkó. É chorar de emoção depois do primeiro ilá do Orixá e abraçar emocionada quem te criou recendo um sorriso que diz silenciosamente, “Você nasceu”. É aceitar com resignação mais três meses de privações que vão desde o conforto da sua cama, até o seu vestido preto preferido, passando pela ausência da cerveja com os amigos, o afago do namorado e as barras de chocolate acompanhadas de café.
Ser yaô é viver durante 7 anos como tal.
É beijar seu fio e agradecer por ter nascido.
Ser yaô é simplesmente ser feliz por pertencer ao axé.
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